Publicado por: diarioamente | Outubro 8, 2007

Anúncio pra inglês (não) ver.

Este ano assisti a uma monografia sobre a quase sempre falaciosa relação entre Marketing & Responsabilidade Social. Na ocasião, uma bola foi levantada, mas ninguém encheu o pé — certamente pra não jogar nas costas do cara que estava apresentando o trabalho — e a discussão murchou.

 

Muitas empresas tomam partido de causas sociais pra camuflar seus podres e o pior é que muitas vezes isso funciona. Porém, se as palavras são fáceis de enfeitar, a mancha que estas empresas realmente deixam costuma se espalhar e sujar boas imagens. Hoje na Inglaterra, a ASA (Advertising Standards Association), espécie de Conar deles, divulgou um dado preocupante para algumas corporações: quatro em cada cinco ingleses desconfiam que empresas estejam jogando sujo com o meio ambiente, ainda que vendam o contrário. Só em setembro, a ASA recebeu 93 queixas sobre 40 anúncios diferentes.

 

Chamado de “Assassinato Verde” esse movimento passa agora a estar na mira não apenas de ONGs e órgão reguladores, mas também dos próprios consumidores. Graças às redes sociais, as pessoas estão muito mais conectadas e a pergunta fica no ar: Quem tem o poder nas mãos? Os famosos virais não funcionam apenas para o bem, pra deixar uma marca mais descolada ou um produto mais interessante. Aquela máxima de que notícia ruim corre rápido também funciona nesse tipo de assunto. A Nike é um exemplo disso quando num passado bem próximo sofreu ataques violentos do mercado por ser suspeita/acusada de utilizar mão-de-obra escrava na Ásia.

 

Alguns marqueteiros são “acusados” de pedir para suas agências algo legal e relevante para relacionarem suas marcas com a preservação do meio ambiente, ao invés de eles construírem verdadeiros cases para “vender”. Os ingleses — e muito provavelmente todas as pessoas do mundo — estão cansadas de anúncios do tipo “Mais potência. Menos poluição. Melhor pra dirigir. Melhor para o planeta” que não dizem bolhufas. Este título, assinado pela Volkswagen para o Golf GT TSI foi banido da mídia exatamente por este motivo, por não dizer nada com nada.

 

 “More power, less pollution. Better to drive. Better for the planet.” Tradução: Bla Bla. Bla Bla. Bla Bla. Bla Bla.  

Aqui no Brasil a gente costuma pegar o bonde meio atrasado. Vamos ter que esperar a repercussão lá fora ver como ela se comporta aqui dentro. O buraco aqui é mais embaixo, mas nós temos nas mãos as mesmas ferramentas que os ingleses. Se eles recorreram a ASA e venceram, podemos muito bem usar o Conar para o mesmo fim (começo). Se eles tiraram do ar o anúncio da Peugeot por causa de uma sogra que era peso morto, podem muito bem tirar de circulação anúncios vazios e assassinos.


Respostas

  1. Sabe como é né sempre tem uma maçã podre no cesto! Sem contar que a grande maioria ajuda às vezes para “descontar” do imposto! Eu invejo fiz um mural pra mim haha depois te mostro abráá!

  2. Fala garoto!

    Muito bom o teu blog, vou adicionar!
    Da uma olhada no meu, ele ta meio parado, mas voltará em breve!

    AbraçO!

  3. Curti teu blog =D
    Fui dar uma vasculhada por aí e achei o teu e de sua digníssima.
    Mas então. Esse negócio de anúncio que não é politicamente correto, em uma parcela considerável das vezes, é frescura, balela, bichisse de quem faz algum tipo de associação sem sentido com algum outro conceito ou acaba (não pude deixar passar) levando por trás.
    Agora, quanto a anúncios vazios, concordo plenamente, tinha que rolar uma associação de profissionais do meio que melhorasse o nível da publicidade do país. Isso melhoraria profissionalmente o mercado e faria com que nós pudéssemos aprender com gente que TEM que manjar.

  4. Massa pra caralho mais esse post. Tá na hora de escrever mais. Haha.


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