A maior ação de marketing do ano é coisa de cinema. O filme Tropa de Elite é assunto certo na TV, nos portais, em blogs, bebedouros etc. O motivo de tudo isso é a famosa indústria pirataria. Conversando com a Renata e lendo alguns artigos sobre isso tudo ficou muito claro e eu duvido muito que estejamos enganados.
Reza a lenda que mais de 3 milhões de pessoas já assistiram à “versão alternativa” do filme, que hoje é vendida em muitos camelôs do país. Os trechos postados no Youtube também já passam das centenas de milhares de acessos. O choro dos pais do filme é o mesmo de sempre: a pirataria tirou o leitinho das crianças.
Antes eu queria saber como esse material (inacabado) caiu nas mãos de alguém, que se tornou o insider da trama. Mas a ingenuidade morreu e lembrei que entre cair e ser entregue há uma grande diferença. Para poder ser cotado a uma indicação ao Oscar o filme precisava estar em cartaz. Para isso colocaram-no numa sala de cinema em Jundiaí-SP durante alguns dias, antecipando o lançamento oficial no dia próximo dia 12 em todo o país.
Ali aconteceu a cena do crime que BOPE nenhum consegue ou vai conseguir resolver. Aquela versão do filme foi reproduzida e 230 cópias dela foram repassadas para outras capitais brasileiras. Quanto tempo vocês acham que demorou pra estarem todas, multiplicadas como Gremlins, enfileiradas nas prateleiras do submundo capitalista? Bem, a semente foi plantada. Regando com lágrimas, como já foi dito, o pessoal do filme passou a reclamar, pois quem agora iria querer assistir a um filme no cinema se ele já poderia ser comprado por míseros dez reais, inclusive com legendas em inglês, nas 25 de Março da vida?
A minha resposta é: todo mundo. Eu mesmo estou louco pra sentar na cadeira do GNC e ver esse filme. O fato é que as pessoas que, geralmente, consomem produtos piratas não são as mesmas que vão ao cinema. Com essa iniciativa, Tropa de Elite conseguiu chamar a atenção de todos os públicos, ricos ou pobres, burros ou inteligentes, antenados ou desligados. Como ação paliativa, a tropa divulgou que a versão pirata do filme está incompleta. Ela foi violada antes da edição final de som e dos últimos cortes de imagem. Ou seja, quem for ao cinema vai ver um filme muito melhor que este da barraquinha mais próxima.
A cereja do bolo entrou com o último comentário de José Padilha, o diretor do filme. Segundo ele, já há uma suspeita do insider. Seria um policial militar, o que para ele comprova a tese do filme. Perfeito. Mais uma vez, digo que tudo isso foi marketing puro, de muito bom gosto e pura guerrilha. Minha intenção nesse post é relatar minha visão dos fatos e não colocar na prancha o capitão Padilha e sua turma.
Um filme produzido com apenas 1 milhão de reais, que fala sobre violência, morte e corrupção (pauta diária das nossas novelas e telejornais) faria o que pra não passar em branco e poltronas vazias? Mídia espontânea, buzz, alinhamento da realidade com a ficção, presente com o passado e uma realidade comum a todos. Parabéns.
A pirataria só é crime porque existem as grandes esquadras que também saqueiam mais do que podem carregar. Eu tenho por escolha não consumir produtos vendidos em camelô, assim como procuro prestigiar o que é nacional. Apóio aquele movimento de comprar o que é daqui e baixar o que é de lá. Mas, a consciência e o bolso são de cada um e pra deixar um leve o outro, infelizmente, precisa pesar.
Links:
Action Figure do Capitão Nascimento (by Eu Podia Tá Matando)