Publicado por: diarioamente | Novembro 8, 2007

Imagine uma textura. Agora, faça.

Câmera em punho, olho no visor e dedo nos gatilhos: da máquina fotográfica e do mouse. Mais ou menos assim que a Fernanda Sponky do 676 criou a bela sessão “Na Textura Imaginária”. As peças foram expostas durante a Semana Acadêmia de Comunicação Social do Bom Jesus/Ielusc no mês passado, mas agora já podem ser apreciadas na moldura do monitor mais próximo. Texturas a base de misturas. É assim que eu vejo esse trabalho. Enjoy in ville…

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Publicado por: diarioamente | Novembro 1, 2007

Chucrute VS Yakissoba

Yang Liu é uma chinesa que desde os 14 anos vive na Alemanha. As imagens abaixo fazem parte de um experimento gráfico que busca comparar as duas culturas que ela melhor conhece. Não sei se é pela simplicidade da mensagem, mas o resultado é, no mínimo, instigante. Bom lembrar que o objetivo desse trabalho não é determinar que a cultura alemã é melhor ou mais evoluída que a chinesa. O que vale mesmo é conhecer e compreender as diferenças. Como diria meu saudoso mestre Russi, “é lindo ser diferente”.

Opiniões

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Pontualidade

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Contatos

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Tristeza

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Filas

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Quer ver mais? Clique aqui (espanhol) ou aqui (inglês).
Há muito mais de onde vieram estes (auto-estima, as ruas no domingo, festas, restaurantes, dor de barriga, viagens, definição de beleza, resolução de problemas, transporte, alimentação, vida na terceira idade, humor em relação ao clima etc).

Indicação do amigo Clauber Rosa.

Publicado por: diarioamente | Outubro 22, 2007

Mostra de Cinema de SP

Primeiramente, quero justificar minha ausência para os meus parcos mais estimados leitores. Semana passada eu estava cheio de coisas pra fazer e meus devaneios exigem mais neurônios do que eu podia dedicar. O resultado foi ótimo, tenho muita coisa pra dividir e posso comunicar que, enfim, minha epopéia rumo a um computador novo chegou ao fim. Em novembro estarei informaticamente tunado.

 

 

Cartaz da Mostra de Cinema de SP, by Hector Babenco

 

 

Bem…

Quem convive comigo bem sabe que no meu plano de vôo está marcada uma longa escala em São Paulo. Já tive uma oportunidade que por uma soma de razões não se concretizou, mas deixa estar. Meu tanque está sempre cheio pra qualquer rota feliz.

 

E por falar em felicidade, quem, além de mim, vive um momento de plena felicidade é o cinema nacional. Caramba, que fase que o nosso cinema está vivendo. Não posso me considerar um cinéfilo e dispenso tal responsabilidade, porém sou um apaixonado pelo cinema e pela prazerosa atividade de escrever, filmar e dizer “rodando” (se bem que hoje em dia, filme não roda, né? Nem filme é…).

 

Semana passada, na quinta-feira, começou a Mostra de Cinema de SP e é por isso que o assunto São Paulo entrou no começo do post. Demorou pra voltar porque eu fui dar uma volta em algum canto do meu cérebro, mas já voltei. Então, é por conta desse tipo de evento que eu tenho muita vontade de morar lá. Ter acesso a esses momentos não tem preço, nem os R$ 360 do passaporte integral doem no bolso. Vale lembrar que também está rolando na Paulista o Corredor Literário. Segura…

 

Passado o efeito Tropa de Elite, que eu julgo um ótimo filme dentro do seu gênero (que não o “Nacional”), estou muito ansioso para o que está por vir. Ano que vem estréia Blindness que, apesar de não ser 100% tupiniquim, tem na direção Fernando Meirelles e toda a sensibilidade dos seus filmes. Esse é um cara para entrar na lista dos “Brasileiros Que Batem Com o Pau na Mesa”. Outro cara que também tem um grande dedo, se não as duas mãos nessa rica safra do cinema nacional é o Jorge Furtado, autor da obra prima Ilha das Flores. Recentemente pude assistir Saneamento Básico e não posso fazer muito além de rasgar elogios e ressaltar: é do Jorge Furtado. Algo mais? 

 

Para fechar as boas novas com chave de ouro 14 quilates, fiquei sabendo que o Ruy Guerra, um cineasta que conheço muito pouco (ainda) está adaptando uma das histórias mais lindas, envolventes e brasileiras que eu já vi. Quase Memória, é um quase romance, quase uma biografia de Carlos Heitor Cony, O Jornalista. Roubei este livro do meu pai no começo do século, li com muita vontade e considero um dos meus tesouros. Além de apaixonado por filmes sou um apaixonado por livros. Quase Memória é um livro que merece ser lido não só pela emoção com a qual é escrito, ou pelo conteúdo singular que traz, mas porque é um registro do mais puro e sincero amor que alguém pode sentir.

 

Quem está dando uma mão no roteiro desse filme é o Rodrigo Pimentel. Esse cara parece ser foda. Conheci ele no documentário Notícias de uma Guerra Particular. A participação dele foi única e mudou o norte do filme. Até aquele momento ele era soldado do BOPE (aquele do Tropa de Elite mesmo). Depois dessa experiência ele largou a farda e caiu na arte. Participou da produção do Ônibus 147 e do blockbuster underground Tropa de Elite, ambos do José Marqueteiro Padilha.

 

Maravilha. Se quando eu ligo o jornal tenho vergonha de ser brasileiro, se quando penso em política tenha pena de ser brasileiro, quando assisto a um filme nacional as mãos coçam, os olhos brilham e a mente voa. Ainda bem que meu tanque está cheio.

 

Links:

Porta Curtas Petrobras

Publicado por: diarioamente | Outubro 8, 2007

Anúncio pra inglês (não) ver.

Este ano assisti a uma monografia sobre a quase sempre falaciosa relação entre Marketing & Responsabilidade Social. Na ocasião, uma bola foi levantada, mas ninguém encheu o pé — certamente pra não jogar nas costas do cara que estava apresentando o trabalho — e a discussão murchou.

 

Muitas empresas tomam partido de causas sociais pra camuflar seus podres e o pior é que muitas vezes isso funciona. Porém, se as palavras são fáceis de enfeitar, a mancha que estas empresas realmente deixam costuma se espalhar e sujar boas imagens. Hoje na Inglaterra, a ASA (Advertising Standards Association), espécie de Conar deles, divulgou um dado preocupante para algumas corporações: quatro em cada cinco ingleses desconfiam que empresas estejam jogando sujo com o meio ambiente, ainda que vendam o contrário. Só em setembro, a ASA recebeu 93 queixas sobre 40 anúncios diferentes.

 

Chamado de “Assassinato Verde” esse movimento passa agora a estar na mira não apenas de ONGs e órgão reguladores, mas também dos próprios consumidores. Graças às redes sociais, as pessoas estão muito mais conectadas e a pergunta fica no ar: Quem tem o poder nas mãos? Os famosos virais não funcionam apenas para o bem, pra deixar uma marca mais descolada ou um produto mais interessante. Aquela máxima de que notícia ruim corre rápido também funciona nesse tipo de assunto. A Nike é um exemplo disso quando num passado bem próximo sofreu ataques violentos do mercado por ser suspeita/acusada de utilizar mão-de-obra escrava na Ásia.

 

Alguns marqueteiros são “acusados” de pedir para suas agências algo legal e relevante para relacionarem suas marcas com a preservação do meio ambiente, ao invés de eles construírem verdadeiros cases para “vender”. Os ingleses — e muito provavelmente todas as pessoas do mundo — estão cansadas de anúncios do tipo “Mais potência. Menos poluição. Melhor pra dirigir. Melhor para o planeta” que não dizem bolhufas. Este título, assinado pela Volkswagen para o Golf GT TSI foi banido da mídia exatamente por este motivo, por não dizer nada com nada.

 

 “More power, less pollution. Better to drive. Better for the planet.” Tradução: Bla Bla. Bla Bla. Bla Bla. Bla Bla.  

Aqui no Brasil a gente costuma pegar o bonde meio atrasado. Vamos ter que esperar a repercussão lá fora ver como ela se comporta aqui dentro. O buraco aqui é mais embaixo, mas nós temos nas mãos as mesmas ferramentas que os ingleses. Se eles recorreram a ASA e venceram, podemos muito bem usar o Conar para o mesmo fim (começo). Se eles tiraram do ar o anúncio da Peugeot por causa de uma sogra que era peso morto, podem muito bem tirar de circulação anúncios vazios e assassinos.

Publicado por: diarioamente | Outubro 5, 2007

Pega um, pega geral.

Tropa de Elite 

 

A maior ação de marketing do ano é coisa de cinema. O filme Tropa de Elite é assunto certo na TV, nos portais, em blogs, bebedouros etc. O motivo de tudo isso é a famosa indústria pirataria. Conversando com a Renata e lendo alguns artigos sobre isso tudo ficou muito claro e eu duvido muito que estejamos enganados.

 

Reza a lenda que mais de 3 milhões de pessoas já assistiram à “versão alternativa” do filme, que hoje é vendida em muitos camelôs do país. Os trechos postados no Youtube também já passam das centenas de milhares de acessos. O choro dos pais do filme é o mesmo de sempre: a pirataria tirou o leitinho das crianças.

 

Antes eu queria saber como esse material (inacabado) caiu nas mãos de alguém, que se tornou o insider da trama. Mas a ingenuidade morreu e lembrei que entre cair e ser entregue há uma grande diferença. Para poder ser cotado a uma indicação ao Oscar o filme precisava estar em cartaz. Para isso colocaram-no numa sala de cinema em Jundiaí-SP durante alguns dias, antecipando o lançamento oficial no dia próximo dia 12 em todo o país.

 

Ali aconteceu a cena do crime que BOPE nenhum consegue ou vai conseguir resolver. Aquela versão do filme foi reproduzida e 230 cópias dela foram repassadas para outras capitais brasileiras. Quanto tempo vocês acham que demorou pra estarem todas, multiplicadas como Gremlins, enfileiradas nas prateleiras do submundo capitalista? Bem, a semente foi plantada. Regando com lágrimas, como já foi dito, o pessoal do filme passou a reclamar, pois quem agora iria querer assistir a um filme no cinema se ele já poderia ser comprado por míseros dez reais, inclusive com legendas em inglês, nas 25 de Março da vida?

 

A minha resposta é: todo mundo. Eu mesmo estou louco pra sentar na cadeira do GNC e ver esse filme. O fato é que as pessoas que, geralmente, consomem produtos piratas não são as mesmas que vão ao cinema. Com essa iniciativa, Tropa de Elite conseguiu chamar a atenção de todos os públicos, ricos ou pobres, burros ou inteligentes, antenados ou desligados. Como ação paliativa, a tropa divulgou que a versão pirata do filme está incompleta. Ela foi violada antes da edição final de som e dos últimos cortes de imagem. Ou seja, quem for ao cinema vai ver um filme muito melhor que este da barraquinha mais próxima.

 

A cereja do bolo entrou com o último comentário de José Padilha, o diretor do filme. Segundo ele, já há uma suspeita do insider. Seria um policial militar, o que para ele comprova a tese do filme. Perfeito. Mais uma vez, digo que tudo isso foi marketing puro, de muito bom gosto e pura guerrilha. Minha intenção nesse post é relatar minha visão dos fatos e não colocar na prancha o capitão Padilha e sua turma.

 

Um filme produzido com apenas 1 milhão de reais, que fala sobre violência, morte e corrupção (pauta diária das nossas novelas e telejornais) faria o que pra não passar em branco e poltronas vazias? Mídia espontânea, buzz, alinhamento da realidade com a ficção, presente com o passado e uma realidade comum a todos. Parabéns.

 

A pirataria só é crime porque existem as grandes esquadras que também saqueiam mais do que podem carregar. Eu tenho por escolha não consumir produtos vendidos em camelô, assim como procuro prestigiar o que é nacional. Apóio aquele movimento de comprar o que é daqui e baixar o que é de lá. Mas, a consciência e o bolso são de cada um e pra deixar um leve o outro, infelizmente, precisa pesar.

 

Links:

Action Figure do Capitão Nascimento (by Eu Podia Tá Matando)

Publicado por: diarioamente | Outubro 5, 2007

Trilogia como nenhuma outra.

Publicidade é arte?

Vira e mexe em algum lugar essa questão é levantada, mas eu sou dos que tem certeza que não. O artista não espera que sua obra seja compreendida de uma única maneira, ao passo que o publicitário precisa que seu público compreenda exatamente o que ele quer dizer. No entanto, acredito que a publicidade possa se apoderar dos meios da arte para atingir seus fins comerciais.

 

Ontem, foi lançado o último anúncio da linha Sony Bravia, intitulado Play-doh. Ao contrário de Balls e Paint, este último foi oferecido previamente por meio de teasers. Talvez porque o cenário tenha sido o centro de Nova Iorque o segredo não pôde ser mantido. Acompanhando toda a estética dos dois primeiros, Play-doh na minha opinião é o mais fraco deles, pois apesar da mágica multicolorida não tem a aura de Balls ou a frenética excitação de Paint (o melhor).

 

Com o pleno controle sobre diversas ferramentas de softwares de edição gráfica, o que encanta nesta série de anúncios é o caráter de quase-manufatura presente em cada um. Em Balls, aquelas milhares de bolinhas foram jogadas do lugar mais alto da rua, depois varridas e jogadas de novo; em Paint aquelas bombas-relógio foram programadas para colorir o céu, a grama e os prédios no segundo exato; em Play-doh 40 animadores e 2,5 toneladas de massinha foram transformadas em coelhinhos e outras coisas estranhas. Pra mim isso é que faz desses filmes uma trilogia como nenhuma outra.

 

Com a assinatura “Colors like no other” os três anúncios são coerentes com o benefício do produto e por esta razão só nos resta vislumbrar a arte explícita de cada um. Se existe continuação eu não sei. Sinceramente espero que não, porque apesar de Play-doh ter deixado a desejar frente aos dois primeiros, ele ainda encanta.

 

 

Making of de Balls
Making of de Paint
Making of de Play-doh

Publicado por: diarioamente | Outubro 4, 2007

Prefácio nada fácil.

Frio na barriga.

 

Parece que comi um iceberg no almoço. Há duas semanas estou deixando pra amanhã o que prometi começar ontem: recomeçar a escrever. Digamos que minhas inquietações, críticas e superficialidades romperam os laços com minhas mãos e em ritmo de férias coletivas eu fiquei sem registrar um pensamento concreto durante muito tempo.

 

Tem gente que gosta de escrever pra esconder, eu gosto de mostrar. Não afim de louros, mas porque sou apaixonado por aquela semiose contínua inerente à escrita e a leitura. Sou no fim um paradoxo, um exibicionista tímido e promíscuo com a sua paixão. Relutei em ressuscitar o Diarioamente, porque achei (e talvez ainda ache) que o mundo não precisa de mais um blog. Como aquelas mulheres que além da sorte que a vida reservou carregam à barra da saia um jardim de infância sem flores, sem educação e também sem sorte.

 

Renata e Ivan, agradeço pelo sensível apoio. Pareciam dois globetrotters. Porém, foi à leitura do último post do Diário de Blindness que eu me rendi. Estou feito criança à espera do filme e esse blog, escrito pelo próprio Fernando Meirelles, tem me dado pequenas doses de prazer e agonia. Aos navegantes: Blindness foi o título escolhido para o filme do livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, lido e elencado ao Top-Top. Só me resta acompanhar o relato das filmagens, roer as unhas, quebrar tampas de canetas etc.

 

Aqui vou escrever sobre as coisas boas da vida. Coisas que todo mundo gosta — umas mais do que as outras. Cinema, fotografia, culinária e música. Propaganda, marketing, literatura e design. Às vezes crítico, inquieto ou superficial. Ás vezes sem gosto, às vezes sem sal. Diariamente, temos esse direito de dizer de novo.

 

O iceberg derreteu.

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